INTRODUÇÃO

Como o desejo muito próprio dos historiadores é fazer reviver o passado, rastreando-o, identificando-o e recuperando-o, fazem isso para compor um mosaico de referências, no sentido de dialogar com a memória daqueles que vivenciaram determinado momento, como que clareando a trajetória do passado e fazendo com que este permaneça na contemporaneidade.

Cabe a nós, historiadores, reconstruir o significado simbólico do passado por meio da memória dos sujeitos, percebendo e interpretando as transformações pelas quais estas representações vieram passando até o presente. Deve ficar claro que tais representações são parte integrande de um contexto histórico, ou seja, que estão limitadas no tempo e no espaço, apesar das possíveis interelações com outras épocas e lugares.

Ao trabalhar com a distrito de Monjolinho de Minas, pressupondo antes de tudo hipóteses que relacionem a sua existência, a sua persistência ou a sua transformação à realidade histórica e aos problemas econômicos, sociais e culturais a que esteja vinculado, tais hipóteses constituem a chave e o direcionamento desta pesquisa.

A metodologia desta pesquisa está voltada, especificamente, para a compreensão das representações mentais, da forma como o imaginário popular e a memória coletiva são construídas, analisando as fontes orais e as experiências vivenciadas pelos moradores de Monjolinho de Minas, seja nas festas religiosas, no comércio, na escola, ou mesmo nas noites clareadas pelos pavios enxarcados das lamparinas.

Escrever ou recuperar a história e a cultura popular de Monjolinho, somente foi possível devido à participação dos seus moradores. O que nos tem feito repensar o papel do historiador e das alternativas possíveis nesse seu relacinamento com as fontes, agora vivas, nos relatos de suas experiências pessoais.

No primeiro capítulo, abordou-se como foi que tudo teve início. Desde a chegada da família Babilônia à Fazenda Abelha, ainda no século XIX, como foram chegando as outras famílias e, junto com elas, a necessidade de fixar moradia. Como as formas de organização resultam da transformação de grupos que habitam região em que vivem, tais famílias foram realmente desbravadoras, pois tudo era mata fechada, não haviam estradas, pontes ou qualquer tipo de transporte. Como as relações do homem com a natureza estão projetadas no espaço geográfico e como as formas de organização desse espaço refletem idéias e valores, tais famílias cultivavam suas crenças e manifestavam sua fé através de encontros religiosos. Num primeiro momento, estes encontros se davam na residência do Sr. José Babilônia, mas com o passar do tempo, os moradores da localidade chegam à conclusão de que precisavam de um espaço próprio para seus encontros. Surge daí a idéia de se construir uma capela.

No segundo capítulo, está relatado como os moradores de Monjolinho de Minas, através de seus líderes, buscaram desenvolver os projetos do grupo do qual faziam parte, onde, em suas práticas tentavam abafar as precariedades do lugarejo, inclusive a crônica falta d'água e/ou as ruas empoeiradas. No entanto, este mesmo grupo, procurava mostrar uma outra faceta do distrito, construindo, por exemplo, uma praça ornamentada ou mesmo a delegacia, cujo objetivo era abafar a violência, que também não deixou de fazer parte do cotidiano de Monjolinho. Salienta-se ainda, neste capítulo, a questão em que Monjolinho, mesmo preenchendo os requisitos necessários para reivindicar sua municipalização, esta foi impossibilitada em virtude de questões políticas.

No terceiro capítulo abordou-se as relações de poder, uma constante em Monjolinho de Minas. Ou seja, ali sempre existiu uma política de troca de favores, como em qualquer outro distrito de pequeno porte. é importante destacar também uma outra cultura encontrada ali - a japonesa. Trata-se de uma família de imigrantes que chega em Monjolinho, trazendo consigo um espírito empreendedor e extremamente reservado. é visível a diferença, portanto, da relação entre os trabalhadores com esta família de japoneses, por lado, e por outro lado com os fazendeiros e lideranças locais.