Algum viajante que venha cá pelo interior de Minas Gerais, passando pela bonita cidade de Lagoa Formosa, tomando depois a poeirante estrada de terra que avança mais e mais para o interior, vai avistar ao longe um minúsculo vilarejo encravado no planalto. Trata-se de Monjolinho, que em sua pequenês e humildade nem sequer figura no mapa. Lugarejo semelhante é descrito com muita poesia nos versos de Mário Quintana:
«Cidadezinha cheia de graça...
Tão pequenina que até causa dó!
Com seus burricos a pastar na praça...
Sua igrejinha de uma torre só...
Nuvens que venham, nuvens e asas,
Não param nunca, nem um segundo...
E fica a torre sobre as velhas casas,
Fica cismado como é vasto o mundo!...»
Todo o lugar se reúne em uma igreja e uma praça em torno da qual se agrupam casas simples com seus telhados escurecidos pelo tempo e janelas de madeira pintadas com óleo colorido. Tudo muito comum. Tudo muito igual. À primeira vista, a impressão que se tem é de uma vida triste e monótona. Engano. Apesar de não mostrar nada especial, Monjolinho é um lugarejo aconchegante e hospitaleiro, depende sempre da maneira como se olha. Embora tão interiorano, o povo procura sempre se informar sobre o que acontece no resto do país e do mundo através dos canais de comunicação a que têm acesso. Com todo o Brasil o monjolinhense chorou a morte do ídolo Senna e vibrou com a conquista do penta-campeonato de futebol. Os dias vêm e vão com a espontaneidade esperada.
Com o cantar dos galos e o raiar do sol começa a se fazer notar com os primeiros movimentos e sons. São pássaros e outros animais que se agitam barulhentos. São lavradores que se reúnem e depois saem animados para enfrentar com disposição mais um dia de trabalho. São donas de casa acompanhando com as próprias vozes, a música sertaneja que toca no rádio, enquanto cuidam de seus afazeres domésticos. São crianças que brincam na praça, alheias às dificuldades da vida, envolvidas em suas brincadeiras. À tarde, a chegada do ônibus é aguardada com ansiedade, pois traz consigo novidades, as compras feitas na cidade. À noite, após as aulas, há movimento dos estudantes que tomam seus lugares em camionetas e rumam para as fazendas onde moram. Nos fins de semana, há o banho na cachoeirinha ou no açude, o forró no salão, o encontro no barzinho, os namorados na praça, a quadra, o futebol, o culto, as músicas típicas no alto-falante. Nesse cenário, muitas histórias aconteceram. Muito se sofreu, muito se sonhou, muito se amou.
E continua assim, o relógio da torre da igreja, a cada quinze minutos, com uma musiquinha característica, avisa que o tempo está passando, e que é preciso fazer o possível para ser feliz e viver bem, e que esta vida pode ser boa em qualquer lugar. Mesmo em Monjolinho.